quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Definições para os maus entendedores

Bode expiatório: expressão utilizada para definir uma pessoa que pagou por algo que não fez.
(fonte: brasilescola.com.br)

Difamação: termo jurídico que consiste em atribuir a alguém fato determinado ofensivo à sua reputação, honra objetiva, e se consuma, quando um terceiro toma conhecimento do fato. De imputação ofensiva que atenta contra a honra e a reputação de alguém, com a intenção de torná-lo passível de descrédito na opinião pública. A difamação fere a moral da vítima, a injúria atinge seu moral, seu ânimo.
(fonte: Wikipedia)

Entendo que para haver equilíbrio, deve, antes, haver os extremos. Não me testem.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

There and back again (my wish), by Bia

Hoje me dei conta de coisas que perdi há algum tempo mas não havia deixado a ficha cair.

Eu morava num bairro rural, a Violeira. Morei lá por 4,5 anos. Uma casa de porte médio com um gostoso quintal, estradinhas de terra no lugar de ruas, metros quadrados de árvores ao invés de vizinhos, pequenos macacos e tucanos morando do lado de lá da cerca, numa mata virgem. O ar era muito transparente, os grilos cantavam todas as noites, dividindo espaços com as corujas.

Nas estradinhas não tinha nem poste, e a noite era o completo breu. O céu era cinza de tantas estrelas e a lua tornava a iluminação urbana completamente desnecessária. A chuva farfalhava nas copas das árvores todas as vezes, e subia aquele cheirinho de terra molhada, coisa que o morador da cidade mal conhece.

A vida tem dessas coisas, e numa dessas, vim morar no centro da cidade. Um apartamento pequeno, sem quintal, numa rua super iluminada, com jovens endemoniados passando com seus malditos carros de som e os motoboys acelerado motos zoeirentas à toa; jovens bêbados - e talvez drogados - gritando uns com os outros palavras de toda sorte.

Ganhei muito vindo morar no centro, mas o que perdi me é caro demais. Aqui, no apartamento, não tenho varanda, menos ainda quintal. Vejo a chuva agitar as poucas árvores da calçada pelas janelas de vidro. Pássaros, só de manhãzinha, mas logo somem. Macacos? Aqui? Jamais. Grilos... um ou outro. E pior: um céu enorme sobre a minha cabeça, lindo, com uma lua deslumbrante e eu não posso apreciar. Porque aqui, a rua é iluminada mas é perigosa. Porque aqui, se um boyzinho me vê sozinha na rua, buzina e grita querendo mexer comigo. Porque aqui, mulher sozinha na rua é alvo de assalto e estupro e a gente não pode dar bobeira. Porque aqui, a gente não tem direito ao espaço da rua. Nem ao silêncio! Quem dirá a segurança e a momentos de pura e simples contemplação do céu. Aqui a gente não tem direito ao céu.

Quer saber? Acho que não vim morar junto à civilização - acho é que me afastei dela.

sábado, 1 de outubro de 2011

Cadê a inteligência? Cadê a educação?

Essa semana, me surpreendi com a ignorância gratuita que as pessoas são capazes de demonstrar. Por duas vezes, sofri ataques pessoais sem o menor merecimento.

Na primeira, um "carinha" tentou me cantar pelo Facebook e, lógico, não correspondi - mas não perdi a linha. Resultado: levei xingo de um qualquer que coloca foto de cuequinha no perfil.

Na segunda: entrei numa discussão sobre aborto num tópico criado por uma amiga com quem nunca tive problema pra conversar, nem mesmo sobre temas densos como esse. Entretanto, uma outra amiga dela, que já estava participando da discussão, entrou de sola e tudo na minha opinião (e na de outros também, mas aqui estou defendendo o meu).

O problema não é que fui atacada duas vezes por completos desconhecidos; o problema foi a gratuidade da coisa. Onde está a educação? A capacidade de argumentar sem atacar o outro, taxando-o de "burro", "sexista", "escravo da bíblia" e outras ofensas? A saída encontrada por eles foi o uso da ofensa pessoal!

As pessoas querem estar certas, mas elas nem mesmo conhecem as raízes das próprias opiniões - e assim, quando são chamadas a apresentar armas, apresentam as armas erradas e acabam desferindo golpes contra o outro. O desfile inteligente dos argumentos nem sai dos bastidores.

A moda (duradoura, aliás) é o "esbofeteamento" gratuito contra pessoas que nem mesmo conhecemos, que não sabemos se são inteligentes ou não, cultas ou não, legais ou não. Mas pensam diferente de nós? "Já basta. Não prestam e merecem ser humilhadas. Provarei minha superioridade com palavras de efeito que elas não conseguirão revidar".

O carinha do Facebook? Típico: ficou offline antes que eu pudesse respondê-lo. A tal da discussão sobre aborto? Escolhi não gastar meu tempo com ela - mesmo porque foi no tópico criado por uma amigona minha - e vou lá discutir com a outra amiga dela? Complicado, né...

Bato o martelo. Desisto. Conversas frutíferas a partir de agora só com pessoas que SEI que são inteligentes o suficiente pra conversar sem ataques. "Apanhar de graça" é uma dll com a qual não nasci.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Ah, eu quero...


Os dias ficando cada vez mais curtos, todo mundo implorando por horas a mais como se fosse possível anexar mais uns blocos de minutos. Quase como colocar crédito no celular. "Preciso de mais crédito!" "Preciso de mais tempo! Onde compro? Onde peço? Onde tem?"

Viramos um dia por cima do outro às vezes sem dar uma pausa, como bolas de neve numa avalanche cinematográfica, e nessa a gente se habitua a querer tudo pra ontem, como se tudo fosse possível de ser feito dessa forma - e ainda sair coisa que preste. Queremos que aconteça hoje, queremos poder revelar o segredo agora, queremos que fique pronto pra amanhã cedo.

As rochas quando são expandidas se racham - o tempo nem isso! Ele não aceita expansão, não importa o tamanho do problema que temos pra resolver. O que aumentam são os prazos, mas pra isso, haja semancol...

E no meio dessa revoada tresloucada de maritacas malucas que cortam o ar quase sem ordem, eu vi cortinas revoando de leve com o vento, rebatendo a luz do sol na namoradeira que aguarda o dia seguinte vigiando meus rabiscos distraída, simplesmente olhando o tempo passar.

Por que não?

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Coloquei o leite no fogo...

... e vim dar uma espiada na internet. Na primeira página que abri já tinha uma baita revolta por causa do trabalho escravo na Zara.

Na linha de baixo, outra chamada garrafal jogava na minha cara que a Líbia tá, literalmente, pegando fogo.

Próximo link, e fiquei sabendo que o caso contra Baptiste foi arquivado.

Ok, cansei e fui pro Twitter. E lá fiquei sabendo que um operário aqui em Viçosa caiu do prédio em construção e morreu (e lotou de popular querendo ver o defunto).

Ainda no Twitter, dei de cara com uma revolta sobre odiar rodeios e coisas assim.

Chega! Vou ligar a TV, deve ter desenho passando. Qual nada...

Era um tal de “super-salários dos senadores”...

... falta de médicos de todo tipo nos hospitais da Líbia..

... crianças fazendo arrastão em hotel...

SANTA RITA! É notícia demais, revoltas demais e tempo pra reagir a isso tudo de menos! Claro que as pessoas estão anestesiadas! São avalanches diárias! Antes mesmo de eu formar opinião sobre um assunto, já me chegam com outro! E...

... peraí, que o leite tá quase entornando no fogão.