Quando você pratica escalada, precisa se concentrar, pois você carrega todo o peso do seu corpo o tempo todo, e precisa dividi-lo para braços e pernas. É preciso coordenação e planejamento de cada movimento; afinal, você vai estar apoiado em pequenas estruturas, e não em degraus de escada. Movimentos mal-feitos e você pode cair - mesmo estando atado a uma corda, cair é tudo o que você não quer! ;-)
Isso tudo quando você treina em academia - porque quando está numa rocha... ah...
Na rocha, tudo muda. Basta começar a se aprontar (conferir as cordas, os freios, os mosquetões, sapatilhas e sacos de magnésio) pra começar a se desconectar do mundo. E quando você toca a pedra, já era. Você não está mais aqui. Você não sabe mais o seu nome. Você não se lembra mais dos seus problemas. O único que você passa a ter é o seguinte: "deixa eu ver como vou fazer pra chegar lá em cima...".
Escalei durante um bom tempo! Uns 3 ou 4 anos. Logo que terminei meu primeiro ano de treino na academia, já estava dando aulas (nosso professor formou e foi embora, me deixando incumbida disso), e já tinha algumas experiências em rocha.
Esses são meu professor (Agnaldo) e eu, durante a subida de uma das rochas em Araponga-MG. Era uma via de mais ou menos 60m de altura, chamada Maldição da Múmia. Acho que foi a primeira escalada que fiz com minha sapatilha. Essas sapatilhas são específicas para escalada em rocha, com um solado de borracha super aderente e ranhurada. É muito apertada no pé, para dar mais firmeza (se o pé ficar "sambando" lá dentro igual num tênis folgado, você cai toda hora). É desconfortável, e até meio difícil de calçar, mas na rocha você agradece por estar calçando uma!
Eu de novo, mas num boulder (lembra? Pedra pequena) em Botelhos-MG, cidade onde meu pai mora. Foi numa das minhas melhores épocas como praticante do esporte, e também a que eu estava mais viciada. Afinal, pra subir de calça jeans, tem que estar viciada é demais! Essa pedra deu um pouco de cagaço, porque já está bem lixiviada (gasta pelo tempo), então sempre havia o risco de uma agarra quebrar. Mas subi rapidinho e saí dela.
Essa é minha amigaça Jordânia, subindo uma outra rocha de Guiricema, numa via de uns 30/40m que o pessoal chama de Ninho da Coruja. É que no meio desa rocha, surge uma fenda, onde um par de corujas havia feito um ninho. Só que a fenda está à esquerda da Jô (dá pra ver na foto), e a maluca foi pelo lado mais difícil - e não caiu! Essa era das boas! :-) Esse saquinho azul preso à cintura dela é pra levar pó de magnésio - usamos pra anular o suor das mãos.
Essa foto nós tiramos na academia. O de preto à esquerda é o Vinícius, da foto lá em cima. O de branco é o Agnaldo e o outro, Miguel. Normalmente, eu é que fazia a segurança (segurava a outra ponta da corda enquanto o pessoal subia), porque eu tinha um bom domínio da técnica. Segurava pessoas muito mais pesadas do que eu. Era engraçado quando ficávamos fazendo graça na parede - os alunos de spinning, da sala ao lado, paravam pra ver, e ficavam rindo de nós! Hehehe! Era muito gostoso.Repararam que ninguém é marombado? Escalada não serve pra isso, mesmo. Ela define o corpo, mas não maromba ninguém. Aliás, marombado quase nunca se dá bem nesse esporte, por duas razões:
1- músculos muito desenvolvidos são muito pesados, e isso dificulta a escalada, seja na rocha, seja na academia;
2- músculos muito desenvolvidos são volumosos e atrapalham movimentos que exigem flexibilidade e agilidade.
Lembro de ter feito segurança prum marombado que chegou na academia todo cheio de marra, achando que ia abafar todo mundo. O infeliz não chegou nem no meio da parede (de 4m, só)! Pesado, desajeitado, nenhuma flexibilidade, nenhuma agilidade. Só força, num esporte que não pede força nenhuma - só jeito.
Sinto saudades de escalar. Um dia, tomara breve, volto a subir pedras e esquecer meu nome. :-) Quer vir junto?
eu qro!!! me leva??? beijos
ResponderExcluirOi, Bia! Legal o seu post sobre seus tempos de escalada. Espero que volte a escalar em breve :)
ResponderExcluirVocê teria uma versão em melhor resolução de sua foto usando Kichute? É que não da pra ver direito os detalhes do calçado ali, as travas, por exemplo. Parece que você não as cortou, né? Bjs
Cristiano