Já reparou? Cada música tem um "formato" diferente! Outro dia, escutando alguns mp3, peguei um papel, caneta, e fiquei rabiscando à toa. Foi quando reparei o formato das músicas, mas só fui atinar pra isso depois de tocar a última e eu ver aquela rabiscaiada toda.
A música clássica é "redonda", curvilínea, longilínea, ampla... Se desse pra desenhar a música clássica enquanto ela é tocada, certamente veríamos traços suaves e curvos, fazendo caracóis, desenhando nuvens, fumaças... Ela é como percorrer uma rodovia com asfalto novo e curvas abertas, numa velocidade constante. Não há pontas nem arestas, nem quebradas, nem turbulência.
Lá no outro corner, o funk. Áspero, pontudo, como um gráfico de eletrocardiograma desenhado por uma criança. Se você tenta desenhar o funk, não vai conseguir coisa diferente. Ele tem altos seguidos de baixos, cada pancada é uma nova aresta numa linha que se parece mais com uma cordilheira de perfil. É um ritmo turbulento, irritante, mobilizante, reto e sem continuidade.
O sertanejo enlatado, desses com guitarra e bateria, soa triangular, como desenhar pirâmides em seqüência, seguindo os timbres altos e baixos da voz do cantor (ou as guinadas com a guitarra). Já o sertanejo original, que a gente chama de "pé-de-serra", tem um desenho ondulado, como um lago calmo com umas poucas ondulações formadas pelo ventinho de fim de tarde.
O pop é uma mistura de cada coisa, mas no geral ficou como ondulações mais fortes, mais acentuadas, com sensação de continuidade. No decorrer da linha, algumas interrupções para traços retos e soltos (provavelmente em solos de bateria, ou efeitos de voz).
No axé, intercalaram-se pirâmides estreitas e altas com estreitas e baixas. Alguns sóis estilizados apareceram também (ritmo quente! hehehe).
Se eu for passar minhas impressões de cada tipo de música, o post vai ficar enorme - e chato. Mas sugiro a você: que tal fazer essa experiência? Vai desenhar música! :-)
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Ato! A-ato! Cada som tem um formato!
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Nem sempre obedeça à sinalização!
"Pronto! A Bia endoidou de vez, agora!"
Nada disso, gente. É que acabei de ver um vídeo no blog dum amigão, o Gilmar (www.paleantropuspublicitarius.blogspot.com) e, agora que já me acalmei (certos vídeos me comovem), quero expandir o comentário que lá deixei.
Quantas vezes na sua vida alguém chegou com a plaquinha de "PARE" e disse: "não vai dar certo". Ou então: "má idéia". Quantas vezes já deixaram claro pra você que não confiavam no seu taco, nas suas decisões? Dessas vezes todas, em quantas você provou que estava com a razão?
Nada contra a palavra dos mais experientes, mas eu tenho contra quem suprime a própria criatividade, a própria capacidade de inovar em favor da palavra deles, sem nem ao menos tentar. De verdade, nada contra. Mas os mais experientes conhecem apenas os caminhos que eles escolheram - os caminhos que eles ignoraram lhes foge ao conhecimento. Como saber o que aconteceria se tivessem escolhido aquele outro caminho? Vê? Eles também não sabem tudo. Sabem muito, verdade, mas não tudo.
Vemos muitas placas de "PARE", "SIGA POR ALI", "SENTIDO OBRIGATÓRIO" ao longo dessa vida. E faz parte do crescimento perceber quais placas obedecer e quais ignorar.
Temos um conjunto de qualidades que nem sempre é (re)conhecido e isso acaba fazendo com que outras pessoas nos julguem erroneamente, nos julguem incapazes de algo. Como no vídeo no blog acima. "Vendedor de celular cantando ópera?! Mas nunca!" E por que não? "Publicidade?? Isso dá dinheiro? Faz Engenharia Ambiental! Faz Medicina!" E por que não Publicidade?
- Por que não comprar uma calça jeans laranja?
- Por que não comer um mega-burguer de 5000 calorias? (uma vez ao ano, espero)
- Por que não participar da Volta da Pampulha, mesmo sabendo que vai parar antes dos primeiros 500 metros?
- Por que não cantar ópera?
Se você tem talento pra algo, tem vontade de fazer, de mostrar... do it. Se não vai fazer mal a ninguém, do it. Se errar, pede desculpa e parte pra outra! Mas não escute sempre a opinião dos outros, se acha que elas não estão certas. Não obedeça à sinalização toda vez. Vá lá, vá em frente. And do it.
Nada disso, gente. É que acabei de ver um vídeo no blog dum amigão, o Gilmar (www.paleantropuspublicitarius.blogspot.com) e, agora que já me acalmei (certos vídeos me comovem), quero expandir o comentário que lá deixei.
Quantas vezes na sua vida alguém chegou com a plaquinha de "PARE" e disse: "não vai dar certo". Ou então: "má idéia". Quantas vezes já deixaram claro pra você que não confiavam no seu taco, nas suas decisões? Dessas vezes todas, em quantas você provou que estava com a razão?
Nada contra a palavra dos mais experientes, mas eu tenho contra quem suprime a própria criatividade, a própria capacidade de inovar em favor da palavra deles, sem nem ao menos tentar. De verdade, nada contra. Mas os mais experientes conhecem apenas os caminhos que eles escolheram - os caminhos que eles ignoraram lhes foge ao conhecimento. Como saber o que aconteceria se tivessem escolhido aquele outro caminho? Vê? Eles também não sabem tudo. Sabem muito, verdade, mas não tudo.
Vemos muitas placas de "PARE", "SIGA POR ALI", "SENTIDO OBRIGATÓRIO" ao longo dessa vida. E faz parte do crescimento perceber quais placas obedecer e quais ignorar.
Temos um conjunto de qualidades que nem sempre é (re)conhecido e isso acaba fazendo com que outras pessoas nos julguem erroneamente, nos julguem incapazes de algo. Como no vídeo no blog acima. "Vendedor de celular cantando ópera?! Mas nunca!" E por que não? "Publicidade?? Isso dá dinheiro? Faz Engenharia Ambiental! Faz Medicina!" E por que não Publicidade?
- Por que não comprar uma calça jeans laranja?
- Por que não comer um mega-burguer de 5000 calorias? (uma vez ao ano, espero)
- Por que não participar da Volta da Pampulha, mesmo sabendo que vai parar antes dos primeiros 500 metros?
- Por que não cantar ópera?
Se você tem talento pra algo, tem vontade de fazer, de mostrar... do it. Se não vai fazer mal a ninguém, do it. Se errar, pede desculpa e parte pra outra! Mas não escute sempre a opinião dos outros, se acha que elas não estão certas. Não obedeça à sinalização toda vez. Vá lá, vá em frente. And do it.
terça-feira, 7 de abril de 2009
A mentira e suas pernas de cotoco
É claro que já falei umas mentirinhas nessa vida - mentiras-mentiras e as chamadas "mentiras brancas", que são as que vêm para bem. Mas hoje... ahhh, meus amigos, HOJE eu vi como é que uma mentira mal-engembrada consegue tornar um pacato cidadão num verdadeiro rei da Patetolândia.
Foi que este amável cidadão, que sofre dum terrível distúrbio de personalidade (que o impede de ser o que é e o faz tentar aparentar o que definitivamernte não é) deu um baita ponto sem nó aqui, (burrada 1), tentou corrigir com outro nó mal-feito (burrada 2) e quando viu que tinha feito outra burrada tentou corrigir com mais um nó mal-dado (burrada 3)! Resultado: virou piada.
É mais ou menos o que acontece com as propagandas enganosas. Oferecem mundos e fundos e, quando são pegas no flagrante, inventam desculpas, rodeiam, mentem, disfarçam, mascaram... e o filme vai ficando cada vez mais queimado, até que não sobra nem o rolo. Resultado: perda da credibilidade e da confiança. E vira piada.
A primeira regra é: não falte com a verdade, porque se cair na boca do povo (e VAI cair), você se lasca. Segunda regra: foi descoberto? Admita logo de cara, porque camisa de lã, quando desfia, nem fogo de vela emenda as pontas. Salve ao menos uma parte do filme, ao invés de queimá-lo quadradinho por quadradinho. Esse é o tipo de filme que não se encontra em supermercado nem em lojas de departamentos. Perdeu? Tá perdido.
Foi que este amável cidadão, que sofre dum terrível distúrbio de personalidade (que o impede de ser o que é e o faz tentar aparentar o que definitivamernte não é) deu um baita ponto sem nó aqui, (burrada 1), tentou corrigir com outro nó mal-feito (burrada 2) e quando viu que tinha feito outra burrada tentou corrigir com mais um nó mal-dado (burrada 3)! Resultado: virou piada.
É mais ou menos o que acontece com as propagandas enganosas. Oferecem mundos e fundos e, quando são pegas no flagrante, inventam desculpas, rodeiam, mentem, disfarçam, mascaram... e o filme vai ficando cada vez mais queimado, até que não sobra nem o rolo. Resultado: perda da credibilidade e da confiança. E vira piada.
A primeira regra é: não falte com a verdade, porque se cair na boca do povo (e VAI cair), você se lasca. Segunda regra: foi descoberto? Admita logo de cara, porque camisa de lã, quando desfia, nem fogo de vela emenda as pontas. Salve ao menos uma parte do filme, ao invés de queimá-lo quadradinho por quadradinho. Esse é o tipo de filme que não se encontra em supermercado nem em lojas de departamentos. Perdeu? Tá perdido.
sábado, 4 de abril de 2009
Me preservem os olhos! Please!
Gosto muito das coisas novas, que facilitam a vida da gente... mas tenho uns limites meio quadrados. Câmera fotográfica é uma delas.
Vez por outra, vejo uma torrente humana munida de câmeras digitais de todos os tipos e potências, tirando fotos sem nenhum juízo, sem nenhum critério. Tirando fotos por tirar. Não estavam ali a passeio, estavam... congelando imagens.
"Ih, Bia! A câmera é deles, fazem dela o que quiserem!" Pois é. Aí aparecem aquelas pérolas das "gostosas do orkut" que a gente recebe por e-mail de vez em quando. É quando me lembro da câmera de mamãe, uma Mitsuka completamente manual, nem virar o filme sozinha ela vira! E eu só via sair cartão-postal daquela câmera... Era uma super-máquina? Que nada... eram os olhos de quem a usava que rezavam o milagre. Ela é de filme, não dá pra apagar fotos que não ficaram boas - então é melhor pensar antes de acionar o disparador!
A fotografia ficou mortalmente banalizada com o advento da câmera digital. As pessoas fazem poses, e fazem sorrisos falsos, e fazem aquele "v" ridículo com os dedos, e fazem beicinho... tudo igual. Tá todo mundo igual em todas as fotos. Cadê as fotos de momento? Daquela gargalhada que o amigo deu de uma piada? Das costas de um cachorrinho sentado olhando pra uma padaria? Do casal de bebês brincando na grama do parquinho, sob a luz dum sol vespertino?
CADÊ A SENSIBILIDADE???
Um giro rápido na internet, e tudo o que se encontra são auto-fotos narcisistas, bestas, ensaiadas, fazendo cara de mau com braço cruzado, ou de gostosa do Flamengo! Quê isso, gente! Virou p*taria isso aqui!
Não gosto mesmo. Foto sem critério é foto sem valor, sem sentimento (lógico, não estou falando de foto de reportagem). Porque depois, o coleguinha vem mostrar: "vem ver as fotos das minhas férias!" e eu vou ter que ver a tia gorda de maiô fazendo pose na cadeira de praia, o filho mais velho dela enterrando o mais novo na areia, o namorado da filha da amiga que foi junto bêbado às turras com um siri maria-farinha (não, isso seria engraçado de ver)... Ou aquela foto desfocada do elevador Lacerda, de metade de uma casa do pelourinho, ou do casal fazendo pose em frente a uma igreja de Tiradentes. Aquelas fotos que ninguém gosta de ver, só quem bateu. Aff, Deus me livre...
Se é só pra você, tá valendo. Agora, tá pretendendo mostrar pra todo mundo quando voltar? Não os torture, faça-os ter vontade de ver a próxima foto e não de sair correndo pra atender um telefone imaginário.
CRITÉRIO, gente, SENSIBILIDADE. Ou vendam a câmera.
Vez por outra, vejo uma torrente humana munida de câmeras digitais de todos os tipos e potências, tirando fotos sem nenhum juízo, sem nenhum critério. Tirando fotos por tirar. Não estavam ali a passeio, estavam... congelando imagens.
"Ih, Bia! A câmera é deles, fazem dela o que quiserem!" Pois é. Aí aparecem aquelas pérolas das "gostosas do orkut" que a gente recebe por e-mail de vez em quando. É quando me lembro da câmera de mamãe, uma Mitsuka completamente manual, nem virar o filme sozinha ela vira! E eu só via sair cartão-postal daquela câmera... Era uma super-máquina? Que nada... eram os olhos de quem a usava que rezavam o milagre. Ela é de filme, não dá pra apagar fotos que não ficaram boas - então é melhor pensar antes de acionar o disparador!
A fotografia ficou mortalmente banalizada com o advento da câmera digital. As pessoas fazem poses, e fazem sorrisos falsos, e fazem aquele "v" ridículo com os dedos, e fazem beicinho... tudo igual. Tá todo mundo igual em todas as fotos. Cadê as fotos de momento? Daquela gargalhada que o amigo deu de uma piada? Das costas de um cachorrinho sentado olhando pra uma padaria? Do casal de bebês brincando na grama do parquinho, sob a luz dum sol vespertino?
CADÊ A SENSIBILIDADE???
Um giro rápido na internet, e tudo o que se encontra são auto-fotos narcisistas, bestas, ensaiadas, fazendo cara de mau com braço cruzado, ou de gostosa do Flamengo! Quê isso, gente! Virou p*taria isso aqui!
Não gosto mesmo. Foto sem critério é foto sem valor, sem sentimento (lógico, não estou falando de foto de reportagem). Porque depois, o coleguinha vem mostrar: "vem ver as fotos das minhas férias!" e eu vou ter que ver a tia gorda de maiô fazendo pose na cadeira de praia, o filho mais velho dela enterrando o mais novo na areia, o namorado da filha da amiga que foi junto bêbado às turras com um siri maria-farinha (não, isso seria engraçado de ver)... Ou aquela foto desfocada do elevador Lacerda, de metade de uma casa do pelourinho, ou do casal fazendo pose em frente a uma igreja de Tiradentes. Aquelas fotos que ninguém gosta de ver, só quem bateu. Aff, Deus me livre...
Se é só pra você, tá valendo. Agora, tá pretendendo mostrar pra todo mundo quando voltar? Não os torture, faça-os ter vontade de ver a próxima foto e não de sair correndo pra atender um telefone imaginário.
CRITÉRIO, gente, SENSIBILIDADE. Ou vendam a câmera.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Olavo Bilac, poemas e poesias
Gosto de Olavo Bilac. Das rimas, das métricas, da escolha das palavras. E, por também gostar de astronomia, o poema que mais gosto dele é "Ouvir Estrelas", da obra "Via Láctea".
Ouvir Estrelas
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".
Aliás, você diferencia poema de poesia? ;-)
. POESIA é aquele texto emocional, que toca o leitor, que evoca sentimentos. Não obrigatoriamente está escrito em estrofes, pode ser um texto corrido.
. POEMA é o texto organizado em estrofes, com rimas, métricas, linha por linha, E QUE TEM o caráter emocional da poesia. Como o poema acima.
Qual seu poeta favorito? Ou poetisa?
Ouvir Estrelas
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".
Aliás, você diferencia poema de poesia? ;-)
. POESIA é aquele texto emocional, que toca o leitor, que evoca sentimentos. Não obrigatoriamente está escrito em estrofes, pode ser um texto corrido.
. POEMA é o texto organizado em estrofes, com rimas, métricas, linha por linha, E QUE TEM o caráter emocional da poesia. Como o poema acima.
Qual seu poeta favorito? Ou poetisa?
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